Sinto uma dor no coração ao lembrar do dia que o joguei fora. Joguei junto com alguns posters, revistas, notas e frases dessa época. Sinto que tinha que guardar, esconder ou trancá-lo à sete chaves. Mas, talvez tenha sido melhor ter me livrado dele. Pode ser que tenha me livrado das frustrações desse tempo difícil. O que me incomoda agora é ter me livrado do que era ruim e acabar esquecendo de tudo. A tristeza é desgraçada, mas te faz crescer. E depois que ela passa você se sente tão bem que não sabe mais como se sentia quando fazia parte dela. E sinto, talvez, um pouco de tristeza de esquecer a tristeza por que passei. Não sei se alguém conseguirá entender mas pra mim faz tanto sentido que não consigo sequer me sentir mal com isso.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Era um caderno velho, de capa azul e desenhos meio desnivelados e apagados pelo tempo. Rabiscada por caneta, a capa de papelão se tornava um rascunho dos mais úteis para qualquer um que a visse. Mas algo nele me chamou atenção, resolvi pegar pra mim. Talvez parecesse comigo na época, um pouco ferido pelo tempo e pela vida, antes mesmo de ser usado. Passou a me acompanhar durante um tempo da minha vida. Lembrei dele hoje e da melhor fase da vida, que por ironia do (meu) destino, foi a minha pior. Minha vida dos 15 aos 18.
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